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Análises e Perspectivas sobre Questões Globais e Comércio Internacional

  • Sustentabilidade
  • 29/02/16
  • Julian Kassum

O ano 2015 será lembrado como o início de uma nova era nos esforços mundiais para eliminar a pobreza, combater as injustiças, e proteger o meio ambiente. No dia 25 de setembro, em Nova Iorque, as Nações Unidas lançarão os novos Objetivos de Desenvolvimento Sustentavél (ODS), em evento de impacto mundial. Mais de 150 chefes de estado serão esperados, junto com figuras da sociedade civil – incluindo o Papa Francisco, a cantora Beyoncé, e Mark Zuckerberg, fundador do Facebook.

Os 17 ODS constituem um conjunto de prioridades globais, buscando incorporar, de uma forma balanceada, as três dimensões do desenvolvimento sustentável (econômica, social e ambiental). Os ODS substituirão e ampliarão os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), que tinham vigência até o fim de 2015.

A primeira vista, alguns dos novos objetivos soam como desejos vãos (Objetivo 1: “Acabar com a pobreza em todas as suas formas, em todos os lugares”) ou promessas de políticos em campanha (Objetivo 3: “Assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todos, em todas as idades”). Contudo, as 169 metas que os acompanham não deixam dúvidas quanto à seriedade do exercício. A implementação de cada um dos ODS poderá ser monitorada por meio de indicadores mensuráveis, a nivel global, nacional e local.

O mundo dos negócios, já acostumado em operar através de objetivos, metas e métricas, não podia ficar fora deste movimento. De fato, as empresas já contribuiram ativamente na redação dos ODS. A International Chamber of Commerce (ICC), que atua em 130 países, incluindo o Brasil, teve o privilégio de coordenar a Global Business Alliance for Post-2015, a plataforma criada para levar a perspectiva das empresas na negociação global de cada objetivo.

Para o empresariado, o interesse dos ODS é duplo. Primeiro, oferecem propósitos concretos que cada nação deve atingir para melhorar substancialmente a vida de seus Os cidadãos (Objetivo 4:Assegurar a educação inclusiva e equitativa de qualidade, e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos”), fortalecer sua economia (Objetivo 9: “Construir infraestruturas resilientes, promover a industrialização inclusiva e sustentável e fomentar a inovação”), e aprimorar a gestão de recursos naturais (Objetivo 6: “Assegurar a disponibilidade e gestão sustentável da água e saneamento para todos”). Neste sentido, os ODS fornecem um marco coerente, reconhecido internacionalmente, para promover a responsabilidade dos governos e dar impulso à elaboração de uma agenda comum para a melhoria de políticas públicas.

Segundo, os ODS constituem um instrumento de referência para que as empresas melhorem suas próprias práticas (Objetivo 12: “Assegurar padrões de produção e de consumo sustentáveis”), contribuem a uma sociedade mais justa (Objetivo 5: Alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas), e incorporem a sustentabilidade em seus modelos de negócios (Objetivo 15 “Proteger, recuperar e promover o uso sustentável dos ecossistemas terrestres, gerir de forma sustentável as florestas, combater a desertificação, deter e reverter a degradação da terra e deter a perda de biodiversidade”).

Aqui reside a grande valia dos ODS. Não foram adotados por governos e para governos. A concepção destes 17 objetivos se realizou através da maior consulta já organizada na história das Nações Unidas. Os debates envolveram todos os setores da sociedade, de todas as regiões do mundo. Criticamente, a concretização dos ODS dependerá do desempenho de todos: líderes políticos, administrações públicas, empresas, sindicatos, ONG e universidades.

O maior desafio será o financiamento dos objetivos. As Nacões Unidas estimam que entre 8 e 10 trilhões de dólares deverão ser mobilizados, de fontes públicas e privadas, para alcançar as 169 metas. Sem dúvida, os primeiros passos devem ser a ampla divulgação dos ODS, e a incorporação deles na construção de uma agenda comum para uma economia brasileira mais forte, mais inclusiva, e mais sustentavél.

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  • Julian Kassum
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